O tema do Desafio Literário deste mês é 'livros cujo protagonista é um animal'. Não é o estilo de livro que costumo ler, e por esse motivo mesmo, fiquei animada. Pesquisei, perguntei para amigos, vi as sugestões no site do Desafio e acabei resolvendo ler o livro do título.
Um livro sobre um gato! Sou daquelas pessoas que não gosta especialmente de gatos. Tenho até um certo medo. Uma vez , na casa de um namorado, enquanto ele tomava banho, seu gato subiu em cima de mim, deitou em cima do meu peito e ficou me encarrando, olho no olho. Fiquei aterrorizada, mas não perdi a pose. Outra vez, na casa de uma prima, enquanto assistimos aos primeiros episódios da segunda temporada de Lost, seu gato subiu no encosto da cadeira e ficou me encarando durante as completas 2 horas em que ficamos olhando para a telinha. Minha prima parecia achar isso a coisa mais natural do mundo, então, mais uma vez, resolvi fingir que também achava e que claro que o gentil gato não iria me atacar.
Como fica claro, a minha relação com os gatos é um tanto ou quanto tensa. Então, para tentar me redimir, vamos ao livro.
Cleveland Amory descreve, de uma forma divertida e detalhada, a sua relação com um gato que salvou da rua na noite de Natal. Descreve o primeiro banho, a escolha do nome , a primeira viagem, e as muitas idiossincrasias do felino. Cleveland também faz parte de Fundo para Animais e descreve o seu envolvimento em várias causas.
No final do livro, nos apaixonamos por Urso Polar e nos sentimos mais próximos de todas estas pessoas que lutam pelos animais e os seus direitos. Uma leitura deliciosa! Recomendo .
Nota: 7
Thursday, 28 March 2013
Sunday, 17 March 2013
Cinquenta tons de cinza de EL James
A trilogia de E.L. James pode quebrar o recorde de vendas de Harry Potter. Harry Potter, apesar de não ser grande literatura era razoavelmente bem escrito e fez com que jovens do mundo todo fizessem fila , na porta das livrarias, no dia do lançamento de cada volume. Isto, perante uma geração acostumada a ficar horas a fio diante de uma tela, já é um grande feito.
Não, definitivamente não dá para comparar!
O que faz de um livro sobre BSDM chegar ao número um na lista de mais vendidos? Sinceramente não sei responder.
O livro é muito, mas muito mal escrito. Talvez a tradução para o português tenha ficado até melhor, mas em inglês parece escrito por uma adolescente. Sem desmerecer os adolescentes. E.L. James tem expressões e frases que repete infinitamente durante o livro todo. Quase que comecei a contar as vezes que escrevia 'It's hot' e que se referia à sua 'inner Goddess'. Mas o problema não é a escritora escrever mal. Li em qualquer lugar que ela acalentava um sonho, há muitos anos ,de escrever um romance . E que esperou os filhos crescerem blah, blah, blah... E aí escolheu este tema bizarro e realizou o seu sonho. Muito nobre, e nada contra. O problema é o enorme sucesso. O que é que fez tanta gente, inclusive eu, ler o livro?
Será que é um destes estranhos efeitos do boca a boca que quanto mais gente lê, mais gente irá ler. É que nem restaurante cheio. Talvez o do lado, mais vazio, seja até melhor e até mais barato, mas o cheio vai encher cada vez mais . Me parece que sim, porque a maioria das pessoas que eu conheço não gostou. Mas leu!
Bom , e quanto ao BSDM? Na verdade, a história é um romance açucarado e a relação dominante- submissa não convence muito. Pelo menos , não neste primeiro volume. O mocinho , Christian, é lindo, rico, inteligente, carinhoso. Só tem uma pequena mania ,que é amarrar e chicotear as parceiras. O tema é até interessante e poderia ter sido bem construído em outras mãos mais eficientes. Mas , aí incomodaria muito e não chegaria à lista dos mais vendidos. James trata do tema de uma forma superficial e, sempre depois de um episódio de BSDM o leitor é presenteado com romantismo e caretice.
Fica então a pergunta: qual o motivo do enorme sucesso? Será que no fundo o que a mulher do século 21 quer é um homem lindo, rico e inteligente que a subjugue? Não acredito que seja essa a razão. Vou ler o segundo volume para ver se descubro. E aí vou acrescentar mais um leitor ao número já exorbitante de leitores desta trilogia.
Nota: 4
Não, definitivamente não dá para comparar!
O que faz de um livro sobre BSDM chegar ao número um na lista de mais vendidos? Sinceramente não sei responder.
O livro é muito, mas muito mal escrito. Talvez a tradução para o português tenha ficado até melhor, mas em inglês parece escrito por uma adolescente. Sem desmerecer os adolescentes. E.L. James tem expressões e frases que repete infinitamente durante o livro todo. Quase que comecei a contar as vezes que escrevia 'It's hot' e que se referia à sua 'inner Goddess'. Mas o problema não é a escritora escrever mal. Li em qualquer lugar que ela acalentava um sonho, há muitos anos ,de escrever um romance . E que esperou os filhos crescerem blah, blah, blah... E aí escolheu este tema bizarro e realizou o seu sonho. Muito nobre, e nada contra. O problema é o enorme sucesso. O que é que fez tanta gente, inclusive eu, ler o livro?
Será que é um destes estranhos efeitos do boca a boca que quanto mais gente lê, mais gente irá ler. É que nem restaurante cheio. Talvez o do lado, mais vazio, seja até melhor e até mais barato, mas o cheio vai encher cada vez mais . Me parece que sim, porque a maioria das pessoas que eu conheço não gostou. Mas leu!
Bom , e quanto ao BSDM? Na verdade, a história é um romance açucarado e a relação dominante- submissa não convence muito. Pelo menos , não neste primeiro volume. O mocinho , Christian, é lindo, rico, inteligente, carinhoso. Só tem uma pequena mania ,que é amarrar e chicotear as parceiras. O tema é até interessante e poderia ter sido bem construído em outras mãos mais eficientes. Mas , aí incomodaria muito e não chegaria à lista dos mais vendidos. James trata do tema de uma forma superficial e, sempre depois de um episódio de BSDM o leitor é presenteado com romantismo e caretice.
Fica então a pergunta: qual o motivo do enorme sucesso? Será que no fundo o que a mulher do século 21 quer é um homem lindo, rico e inteligente que a subjugue? Não acredito que seja essa a razão. Vou ler o segundo volume para ver se descubro. E aí vou acrescentar mais um leitor ao número já exorbitante de leitores desta trilogia.
Nota: 4
Saturday, 2 March 2013
As Mentiras que os Homens Contam - Luís Fernando Veríssimo
Quantas mentiras contamos por dia? Talvez não nos damos conta, mas contamos pequenas e grandes mentiras no nosso dia a dia. Isto quer dizer que o ser humano é essencialmente deshonest, disleal, fraudulento?
Luís Fernando Veríssimo nos dá uma descrição bem humorada de vários tipos de 'mentiras' contadas pelo ser humano. Na introdução ao livro ele defende este ato, dizendo que os homens mentem para o bem dos outros, e principalmente para o bem das mulheres.
Luís Fernando Veríssimo nos dá uma descrição bem humorada de vários tipos de 'mentiras' contadas pelo ser humano. Na introdução ao livro ele defende este ato, dizendo que os homens mentem para o bem dos outros, e principalmente para o bem das mulheres.
- Como não nos identificarmos com a primeira história. O que fazer com a famosa pergunta 'Você não se lembra de mim?'. É melhor sair correndo mesmo pois todas as opções de resposta estão fadadas ao fracasso.
- E quando a mentira parece mais crível do que a verdade. É hilária a história do homem que perde o anel no bueiro. A mulher não vai acreditar. Melhor contar o que parece mais provável.
- E quando " que maravilha' quer dizer "que horror" , e isto sim é uma maravilha. Esta é a 'mentira semântica' da arte kitsch.
- E o blefe que é a mentira permitida no pôquer. O problema é que algumas pessoas acham o blefe admissível na vida real. Mas aí tem outro nome.
- O que fazer quando somos pegos naquela mentirinha que contamos para não ir no jantar do amigo. Às vezes é preciso mentira após mentira após mentira.....
- Cuidado ao responder à pergunta: 'Você conhece o escritor.......' Pode ser um brincadeira. É melhor passar por ignorante do que por idiota.
- E tem momentos em que é melhor não encarar a verdade. A mentira tem mais glamour!
Em 40 mentiras Luis Fernando Veríssimo traça uma crônica ao mesmo tempo impiedosa e caridosa deste ser humano criativo e complexo . Humano, demasiado humano.
Nota: 7
Nota: 7
Sunday, 17 February 2013
O Guia do Mochileiro das Galáxias de Douglas Adams
Há muito tempo que escutava falar no Guia do Mochileiro mas nunca imaginei que seria o tipo de livro que me agradaria. O Desafio Literário deste mês é ler livros que façam rir. Bom, resolvi tentar ler o tal 'Guia'. Uma grande bobagem, acreditei. Mas vamos lá.
Qual a minha surpresa quando descobri que o livro é genial. O humor é afiado e totalmente irreverente. Descobri que :
Qual a minha surpresa quando descobri que o livro é genial. O humor é afiado e totalmente irreverente. Descobri que :
- toalhas são imprescindíveis para uma viagem pelas Galáxias .
- os golfinhos sabem de mais coisas do que nós , humanos.
- a resposta para ' a pergunta' é 42 . Só que não sabemos qual é a pergunta.
- jamais devemos deixar um Vogon ler poesia.
- ratos brancos podem não ser ratos brancos.
- nunca devemos entrar em pânico.
- todas as canetas esferográficas vão para um planeta distante.
- a maioria das coisas não é o que aparenta ser.
Como pude passar tantos anos não sabendo disto tudo?
Douglas Adams, através do seu humor escrachado, faz críticas aos governos, ao poder, à cultura, à tecnologia, ao sentido da vida.
Dá vontade de ler novamente e sublinhar todas as frases geniais.
Nota 9
Saturday, 9 February 2013
O Santo e a Porca de Ariano Suassuna
O Santo e a Porca é uma peça cômica sobre o duelo entre o sagrado e o profano na vida dos seres humanos. Euricão, o avarento, está sempre diante desta escolha : a porca (o profano) e Santo Antônio (o sagrado). Pela sua natureza avarenta ele esconde a sua fortuna dentro da porca, tenta casar sua filha com um homem rico e explora seus empregados sem pagar um salário. As suas escolhas não ficam sem punição e Euricão perde tudo. Sofre a traição do destino, e precisa aprender a lição para poder se redimir.
À primeira vista, a peça pode parecer farsesca e simples. Mas um olhar mais atento nos mostra indagações profundas e uma rica caracterização da cultura popular do nordeste. O ritmo é ágil e os personagens bem definidos. Temos : o avarento, a noiva apaixonada, o noivo apaixonado, a noiva recatada, a empregada ardilosa, o velho solitário , o representante do povo. Caroba, a empregada ardilosa, tece a trama e a cada instante temos um fato novo seja com os noivados , seja com o desaparecimento e surgimento da porca.
No final da peça Euricão se pergunta:
Bem e agora começa a pergunta. Que sentido tem toda essa conjuração que se abate sobre nós? Será que tudo isso tem sentido? Será que tudo tem sentido? Que quer dizer isso, Santo Antônio? Será que você tem a resposta? Que diabo quer dizer isso, Santo Antônio?
Euricão perde a sua fortuna material mas ganha a oportunidade de se espiritualizar. Os outros personagens ganham , de Santo Antônio, um casamento.
Nota 10
À primeira vista, a peça pode parecer farsesca e simples. Mas um olhar mais atento nos mostra indagações profundas e uma rica caracterização da cultura popular do nordeste. O ritmo é ágil e os personagens bem definidos. Temos : o avarento, a noiva apaixonada, o noivo apaixonado, a noiva recatada, a empregada ardilosa, o velho solitário , o representante do povo. Caroba, a empregada ardilosa, tece a trama e a cada instante temos um fato novo seja com os noivados , seja com o desaparecimento e surgimento da porca.
No final da peça Euricão se pergunta:
Bem e agora começa a pergunta. Que sentido tem toda essa conjuração que se abate sobre nós? Será que tudo isso tem sentido? Será que tudo tem sentido? Que quer dizer isso, Santo Antônio? Será que você tem a resposta? Que diabo quer dizer isso, Santo Antônio?
Euricão perde a sua fortuna material mas ganha a oportunidade de se espiritualizar. Os outros personagens ganham , de Santo Antônio, um casamento.
Nota 10
Tuesday, 5 February 2013
The Importance of Being Earnest de Oscar Wilde
O tema deste mês no Desafio Literário 2013 era 'livros que nos façam rir'. Achei o tema difícil. Não me lembrava de ter lido muitos livros no passado que me tivessem feito rir. Seria eu uma pessoa sisuda, mal humorada, de pouco riso?
Pensei , pensei no assunto, e como não queria aceitar que fosse desprovida de humor, me coloquei diante da tarefa de achar livros engraçados.
A minha primeira escolha não poderia ter sido mais acertada. A peça The Importance of Being Earnest de Oscar Wilde é genial. Através de seus personagens, Wilde faz a sua crítica à Aristocracia, Critica a sua hipocrisia, seus preconceitos, seus valores morais, sua visão do casamento, sua futilidade. Os diálogos são nonsense, seus personagens carecendo de qualquer lógica ou senso comum.
Como leitora, me deliciei com o enredo intrincado, onde todos enganam todos, e Wilde não redime ninguém.
O humor é bastante inglês e usa muito jogo de palavras portanto não sei como será a tradução (A Importãncia de ser Prudente) e se parte do humor se perde. No entanto, recomendo o livro como uma grande obra de humor inteligente.
Nota 10
Pensei , pensei no assunto, e como não queria aceitar que fosse desprovida de humor, me coloquei diante da tarefa de achar livros engraçados.
A minha primeira escolha não poderia ter sido mais acertada. A peça The Importance of Being Earnest de Oscar Wilde é genial. Através de seus personagens, Wilde faz a sua crítica à Aristocracia, Critica a sua hipocrisia, seus preconceitos, seus valores morais, sua visão do casamento, sua futilidade. Os diálogos são nonsense, seus personagens carecendo de qualquer lógica ou senso comum.
Como leitora, me deliciei com o enredo intrincado, onde todos enganam todos, e Wilde não redime ninguém.
O humor é bastante inglês e usa muito jogo de palavras portanto não sei como será a tradução (A Importãncia de ser Prudente) e se parte do humor se perde. No entanto, recomendo o livro como uma grande obra de humor inteligente.
Nota 10
Saturday, 2 February 2013
Freedom - Jonathan Franzen
Há muitos tempo que estou querendo ler o livro Freedom de Jonathan Franzen. Quando resolvi fazer o Desafio Literário 2013 http://desafioliterariobyrg.blogspot.com.br/ , e o tema para janeiro era livre, achei que era o livro ideal. Freedom como opção de tema livre.
As 700 páginas me assustaram um pouco, e depois de ter concluído o livro, continuo preferindo os livros mais curtos, que você acaba com um gostinho de quero mais. Mas isso já é outra história que posso desenvolver em uma outra ocasião.
O livro foi saudado pela crítica como o romance do ano, talvez do século; o romance sobre o mundo pós 9/11; o romance social.
Comecei o livro esperando muito, e passei o livro inteiro esperando algo mais grandioso. Não que o livro seja ruim, de forma nenhuma, mas é basicamente a história de um casamento e seus percalços. Sim, como pano de fundo temos o 9/11, a guerra do Iraque, a defesa do meio ambiente, a superpopulação, a crise da energia, a crise dos estados Unidos, as diferenças entre Democratas e Republicanos, a era Obama. E não temos nenhuma dúvida de qual a posição política do escritor. No entanto, a história que seguimos é a de Patty, Walter, seus pais, seus irmãos, seus filhos, seus amantes, seus amigos . É o livro sobre uma família que, já no início de livro nos é apresentada como sendo estranha.
Quanto ao título, a noção de liberdade aparece no decorrer da trama. O livro trata da liberdade dos seus personagens, mostrando o que eles fazem, ou deixam de fazer com ela. A liberdade é uma liberdade de escolher, e com cada escolha existe uma consequência. Apesar de Jonathan Franzen não julgar os seus personagens, algumas escolhas, que poderiam ser consideradas erradas, têm consequências também consideradas ruins. No final fica a sensação de que Jonathan Franzen se curva ao moralismo Norte Americano e ao tão cultuado Happy End.
Nota : 7
As 700 páginas me assustaram um pouco, e depois de ter concluído o livro, continuo preferindo os livros mais curtos, que você acaba com um gostinho de quero mais. Mas isso já é outra história que posso desenvolver em uma outra ocasião.
O livro foi saudado pela crítica como o romance do ano, talvez do século; o romance sobre o mundo pós 9/11; o romance social.
Comecei o livro esperando muito, e passei o livro inteiro esperando algo mais grandioso. Não que o livro seja ruim, de forma nenhuma, mas é basicamente a história de um casamento e seus percalços. Sim, como pano de fundo temos o 9/11, a guerra do Iraque, a defesa do meio ambiente, a superpopulação, a crise da energia, a crise dos estados Unidos, as diferenças entre Democratas e Republicanos, a era Obama. E não temos nenhuma dúvida de qual a posição política do escritor. No entanto, a história que seguimos é a de Patty, Walter, seus pais, seus irmãos, seus filhos, seus amantes, seus amigos . É o livro sobre uma família que, já no início de livro nos é apresentada como sendo estranha.
Quanto ao título, a noção de liberdade aparece no decorrer da trama. O livro trata da liberdade dos seus personagens, mostrando o que eles fazem, ou deixam de fazer com ela. A liberdade é uma liberdade de escolher, e com cada escolha existe uma consequência. Apesar de Jonathan Franzen não julgar os seus personagens, algumas escolhas, que poderiam ser consideradas erradas, têm consequências também consideradas ruins. No final fica a sensação de que Jonathan Franzen se curva ao moralismo Norte Americano e ao tão cultuado Happy End.
Nota : 7
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